Novas Regras para o Rotativo do Cartão de Crédito: Entenda as Mudanças e Seus Impactos
- João Falanga
- 4 de jan. de 2024
- 3 min de leitura

No dia 3 de janeiro de 2024, entraram em vigor as novas regras para o rotativo do cartão de crédito, conforme estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O Banco Central esclareceu que as mudanças visam trazer maior transparência e limitar os encargos após o atraso no pagamento da fatura do cartão. Neste artigo, vamos explorar em detalhes as alterações implementadas, o contexto que levou a essas mudanças e as possíveis repercussões para o ano de 2024.
O Que Diz a Regra?
Conforme aprovado pelo CMN, os juros e encargos nos financiamentos do cartão de crédito, incluindo o rotativo e o parcelado, agora têm um teto. Esse limite não pode ultrapassar 100% do valor original da dívida. Por exemplo, se R$ 1.000 entraram no rotativo, o banco pode cobrar, no máximo, outros R$ 1.000 em juros e encargos. Essa medida busca evitar que os consumidores fiquem presos em uma espiral de dívidas crescentes.
Desde 2017, uma regra do Banco Central impede que o cliente permaneça mais de 30 dias no rotativo. Após esse período, a instituição é obrigada a oferecer uma alternativa com condições mais favoráveis. A novidade é que agora o teto incluirá não apenas os juros remuneratórios, mas também juros de mora, multa moratória, tarifas e comissões incidentes à operação de crédito.
Mudanças no Parcelado Sem Juros?
Ao contrário das expectativas do setor, as mudanças não se estendem ao parcelado sem juros. O CMN não propôs alterações nessa área, apesar das demandas dos bancos por limitações, alegando desequilíbrios no sistema. Contudo, há rumores de que o Banco Central poderá lançar uma consulta pública em 2024 para discutir possíveis limitações nesse tipo de parcelamento.
Resolvendo o Problema dos Juros Altos?
Analisando a opinião de especialistas da indústria, as novas regras não resolvem integralmente o problema dos juros elevados e da acumulação de dívidas pelo mau uso do cartão. Boanerges Freire, da Boanerges & Cia Consultoria, destaca que a regulamentação do teto pode ser um passo na direção certa, mas não aborda a alta taxa de inadimplência, que continua alimentando os juros elevados.
É importante notar que a ausência de prazo para o atingimento do limite de 100% pode limitar o impacto prático nas taxas nominais. Em outubro, as taxas de juros do rotativo estavam em 431,58% ao ano, enquanto nos parcelamentos do cartão, alcançavam 195,6% ao ano.
Impactos no Setor Bancário
De acordo com análises do Citi e do Goldman Sachs, o impacto do novo teto nas taxas de juros deve ser pequeno para os bancos. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) considera a solução como temporária, apontando que as causas dos elevados juros do rotativo não foram estruturalmente solucionadas.

Outras Mudanças Propostas pelo Banco Central
Além das alterações no rotativo, o Banco Central propôs mudanças na dinâmica dos cartões, efetivas a partir de 1º de julho de 2024. Essas mudanças incluem a disciplina da portabilidade do saldo devedor da fatura, aumento da transparência nas faturas e iniciativas de educação financeira por parte das instituições financeiras.
As faturas de cartão passarão a conter áreas específicas com informações essenciais, alternativas de pagamento e informações complementares. Instituições autorizadas pelo BC também deverão adotar medidas de educação financeira para contribuir para o planejamento do orçamento pessoal e familiar, a formação de poupança e a prevenção ao superendividamento.
Contexto e Pressões para Mudanças
Desde o início do ano, houve pressão do governo por alternativas que reduzam os juros do rotativo. A inclusão de um teto para os juros na lei do Desenrola, em conjunto com a falta de consenso no setor bancário, levou o CMN a detalhar a operacionalização do teto, buscando equilíbrio entre as demandas das instituições financeiras e a proteção dos consumidores.
Conclusão
As mudanças nas regras do rotativo do cartão de crédito representam um passo importante em direção à proteção dos consumidores e à busca por taxas mais justas. No entanto, a discussão sobre a eficácia dessas medidas continuará em 2024, com a possibilidade de novas propostas e ajustes no cenário financeiro. Fique atento às atualizações e esteja preparado para se adaptar a um ambiente em constante evolução no setor de cartões de crédito.
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